STF determina afastamento de Aécio e Rocha Loures dos mandatos

O Supremo Tribunal Federal (STF) determinou o afastamento do senador Aécio Neves (PSDB-MG) do mandato de senador e de Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) do mandato de deputado federal. O pedido é da Procuradoria-geral da República com base na delação de Joesley Batista e pessoas ligadas ao grupo J&F. Aécio foi gravado solicitando R$ 2 milhões ao empresário e Rocha Loures foi filmado pela Polícia Federal recebendo valores do empresário.

A Procuradoria chegou a pedir a prisão de Aécio, mas o ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato, encaminhou o caso para deliberação do plenário do STF.

Na conversa gravada, Joesley e Aécio negociam de que forma seria feita a entrega do dinheiro. O empresário teria dito que se o senador recebesse pessoalmente o dinheiro, ele mesmo, Joesley, faria a entrega. E, se Aécio mandasse um preposto, o empresário faria o mesmo. Foi quando o senador disse a seguinte frase:

— Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do c***.

O “Fred” citado no diálogo é Frederico Pacheco de Medeiros, primo de Aécio, ex-diretor da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e um dos coordenadores da campanha do tucano à Presidência em 2014. O responsável pela entrega teria sido o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, de acordo com a reportagem do jornal.

Rocha Loures, por sua vez, teria sido filmado pela Polícia Federal recebendo cerca de R$ 500 mil em propina.

Na manhã desta quinta-feira (18), a Polícia Federal cumpre mandados de busca e apreensão em imóveis de Aécio Neves no Rio de Janeiro e em Belo Horizonte. Andreia Neves, irmã de Aécio, e Altair Alves, ligado ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) também são alvo da operação. Andreia está no Exterior e será presa assim que chegar ao Brasil.

Segundo a Coluna do Estadão, a PF cumpre mandado de busca e apreensão no gabinete de Aécio e de Zezé Perrella (PMDB-MG) no Senado. O presidente da Casa, Eunício Oliveira, foi informado da ação e autorizou a entrada dos policiais acompanhada de um funcionário indicado por ele.

Por Estadão Conteúdo

Zero Hora